O escondido
Juntava-se na biblioteca
Mundos e mundos
A cada princípio... a morte agia
Estrangulando o bem, não ria
Do destino, não chore pelo fim.
A incurável esperança, saudade eterna
Faz soluçar o olhar
Vendo a extensão do anoitecer
Um barco a navegar
Levando jaulas silenciosas.
A canção das árvores encanta
Palavras frias, letras de inverno
Sorrisos que se movem, planta
Solitária de olhos lâminas
A introduzir no dia a dia o inferno.
Violenta tempestade revolve
Lugares agonizantes, frenesis distantes
No gozo estancado resolve
Ilhas que se afastam, mares comprimidos
Ondas de ressaca, frágeis gemidos.
Palavras não sustentam sentimentos
Casadas com a morte, desparecem
Simples ruflar de asas, poucos momentos
Rastros sobre os telhados, que se esvaecem
A luz do dia.
Farrapos armados subtraem
Cálices açucarados de uma ilusão
Os dedos, trêmulos, traem
A triste realidade, constatação:
Todos somos elevadores em queda.
A máquina avariada furta o ar
Procura uma porta esquecida
Uma fresta escondida
De onde eu possa ver o mar
Eterno.
Vou soltar os pássaros da língua
Atravessar a sobremesa servindo o jantar
Até que o prato solitário sobre a mesa
Receba lentamente colheradas de paladar
Sacrificando a extensão das casas coloridas.
Depois de um doloroso nascimento
Esse desassossego, essa entropia acelerada
Esse transitar nervoso entre o ser e o nada
Esse pulmão arfante, envelhecendo
Essas asas quebradas, prometendo
Um paraíso a saciar a sede
O regresso da viagem angustiada
Adormecer na aconchegante rede
Saltar... sem pára-queda, bússola
Sem medo, não mais errante.
Sou o escondido.
Aquele que as mãos não tocam
Aquele que os olhos não vêem
Aquele que os ouvidos não ouvem
Aquele que sobrevive sem que se faça sentir.
Mundos e mundos
A cada princípio... a morte agia
Estrangulando o bem, não ria
Do destino, não chore pelo fim.
A incurável esperança, saudade eterna
Faz soluçar o olhar
Vendo a extensão do anoitecer
Um barco a navegar
Levando jaulas silenciosas.
A canção das árvores encanta
Palavras frias, letras de inverno
Sorrisos que se movem, planta
Solitária de olhos lâminas
A introduzir no dia a dia o inferno.
Violenta tempestade revolve
Lugares agonizantes, frenesis distantes
No gozo estancado resolve
Ilhas que se afastam, mares comprimidos
Ondas de ressaca, frágeis gemidos.
Palavras não sustentam sentimentos
Casadas com a morte, desparecem
Simples ruflar de asas, poucos momentos
Rastros sobre os telhados, que se esvaecem
A luz do dia.
Farrapos armados subtraem
Cálices açucarados de uma ilusão
Os dedos, trêmulos, traem
A triste realidade, constatação:
Todos somos elevadores em queda.
A máquina avariada furta o ar
Procura uma porta esquecida
Uma fresta escondida
De onde eu possa ver o mar
Eterno.
Vou soltar os pássaros da língua
Atravessar a sobremesa servindo o jantar
Até que o prato solitário sobre a mesa
Receba lentamente colheradas de paladar
Sacrificando a extensão das casas coloridas.
Depois de um doloroso nascimento
Esse desassossego, essa entropia acelerada
Esse transitar nervoso entre o ser e o nada
Esse pulmão arfante, envelhecendo
Essas asas quebradas, prometendo
Um paraíso a saciar a sede
O regresso da viagem angustiada
Adormecer na aconchegante rede
Saltar... sem pára-queda, bússola
Sem medo, não mais errante.
Sou o escondido.
Aquele que as mãos não tocam
Aquele que os olhos não vêem
Aquele que os ouvidos não ouvem
Aquele que sobrevive sem que se faça sentir.